Miguel SousaVIEW PROFILE →
O eclipse que a Iberia esperava ha 120 anos: o Sol apagou-se a 12 de agosto e abre um trio historico ate 2028
A 12 de agosto de 2026, um eclipse solar total cruzou o norte de Espanha e tocou o nordeste de Portugal, o primeiro na Peninsula Iberica em cerca de 120 anos. E foi apenas o inicio de um raro trio de eclipses que se prolonga por 2027 e 2028.
A Peninsula Iberica acaba de viver um dos momentos astronomicos mais aguardados das ultimas decadas. No dia 12 de agosto de 2026, um eclipse solar total escureceu o ceu sobre uma vasta regiao do sul da Europa, deixando milhoes de pessoas de olhos postos no Sol. Para muitos, foi a primeira vez na vida que puderam assistir a um fenomeno desta magnitude tao perto de casa. O acontecimento marcou o calendario cientifico e popular do continente.
O eclipse total foi visivel a partir do leste da Gronelandia, do oeste da Islandia, da metade norte de Espanha e do canto nordeste de Portugal. Ao longo da faixa de totalidade, a Lua cobriu completamente o disco solar, com uma duracao maxima de totalidade de 2 minutos e 18 segundos. Durante esses breves instantes, o dia transformou-se numa especie de crepusculo antecipado, com o horizonte iluminado a toda a volta.
O que torna este eclipse verdadeiramente historico e a sua raridade geografica. Foi o primeiro eclipse solar total a ser visivel na Peninsula Iberica em cerca de 120 anos, desde 1905. Alem disso, tratou-se do primeiro eclipse total observavel a partir da Europa continental desde 1999, quando a sombra da Lua atravessou varios paises do centro do continente. Gerações inteiras esperaram por um espetaculo assim.
O que se viu na Peninsula

Uma das caracteristicas mais notaveis deste eclipse foi a largura da sua faixa de totalidade. A sombra da Lua desenhou um corredor com cerca de 290 quilometros de largura, cobrindo aproximadamente 40 por cento do territorio espanhol. Cidades como Valencia, Saragoca e Bilbau ficaram dentro da zona de totalidade, tornando-se pontos de encontro para curiosos e astronomos vindos de todo o mundo.
Nem todos, porem, viram o Sol completamente tapado. Em Madrid e Barcelona, o eclipse foi parcial, ainda que muito profundo, com uma cobertura do disco solar superior a 99 por cento. Em Portugal, a grande maioria do territorio observou apenas um eclipse parcial, com a totalidade reservada ao extremo nordeste do pais. Ainda assim, mesmo um eclipse parcial tao acentuado oferece um espetaculo impressionante.
O horario tambem tornou este eclipse especial. Em Espanha, a fase total ocorreu ao final da tarde, por volta das 17h30 locais, com o Sol ja relativamente baixo no ceu, pouco antes do por do sol. Esta posicao junto ao horizonte deu origem a imagens dramaticas, com o Sol eclipsado a recortar-se sobre montanhas e paisagens, algo que raramente acontece em eclipses observados ao meio-dia.
Durante a totalidade, quem estava na faixa certa pode observar a coroa solar, a atmosfera exterior do Sol, que so se torna visivel a olho nu quando o disco fica completamente coberto. A temperatura desce de forma percetivel, as estrelas e planetas mais brilhantes surgem no ceu e os animais alteram o seu comportamento, como se a noite tivesse chegado de repente. Sao estes detalhes que transformam um eclipse total numa experiencia inesquecivel.
Foi o primeiro eclipse solar total visivel na Peninsula Iberica em cerca de 120 anos, desde 1905.
Um trio iberico raro
O mais extraordinario e que o eclipse de 12 de agosto foi apenas o primeiro capitulo de uma sequencia rarissima. A Peninsula Iberica vai assistir a um autentico trio de eclipses solares em apenas dois anos e meio, algo que praticamente nao tem paralelo na historia recente. Depois de 2026, seguem-se mais dois grandes acontecimentos no ceu iberico, o que faz desta uma epoca de ouro para os amantes da astronomia.
O segundo ato esta marcado para 2 de agosto de 2027, quando outro eclipse solar total voltara a cruzar Espanha. Desta vez, a faixa de totalidade sera especialmente visivel a partir do sul da peninsula, incluindo Ceuta e Melilla. Segundo os dados disponiveis, este eclipse tera uma duracao de totalidade superior a registada em 2026, prometendo um espetaculo ainda mais prolongado.
O trio fecha-se a 26 de janeiro de 2028, mas com uma natureza diferente. Nesse dia, ocorrera um eclipse anular, visivel a partir da America do Sul, de Portugal e de Espanha. Num eclipse anular, a Lua nao cobre totalmente o Sol, deixando visivel um brilhante anel de luz, o chamado anel de fogo. Este fenomeno acontece apenas seis meses depois do eclipse total de agosto de 2027.
Algumas zonas do sul de Espanha, como Malaga, Cadiz e Tarifa, terao a sorte extraordinaria de testemunhar dois tipos de eclipse num curto espaco de tempo, primeiro um total e depois um anular. Este tipo de coincidencia e considerado extremamente raro pelos especialistas. Para Portugal, o grande destaque desta sequencia sera precisamente o eclipse anular de 2028, observavel a partir do territorio nacional.
Estes acontecimentos sao muito mais do que belos espetaculos no ceu. Os eclipses despertam o interesse do publico pela ciencia, impulsionam o turismo astronomico e oferecem oportunidades unicas de observacao e educacao. Convem, no entanto, lembrar uma regra essencial de seguranca, valida sobretudo para o proximo eclipse de 2028, nunca olhar diretamente para o Sol sem filtros ou oculos apropriados e certificados, sob risco de lesoes graves e permanentes na visao.
Para Portugal e Espanha, os proximos anos anunciam-se, assim, como um periodo verdadeiramente especial. Depois de esperar mais de um seculo por um eclipse total, a Peninsula Iberica passa a ter tres grandes eclipses em pouco tempo. O de 12 de agosto ja entrou para a historia, e agora os olhares viram-se para 2027 e 2028, com a certeza de que o ceu iberico voltara a proporcionar momentos memoraveis.





