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Portugal prepara-se para lançar foguetões dos Açores em 2026 com o novo espaçoporto de Santa Maria

climate2026-08-20 · 4 min read · 110 reads

A ilha de Santa Maria, nos Açores, prepara-se para se tornar a porta de entrada europeia para o espaço em 2026. O primeiro lançamento comercial está previsto para o mês de maio.

Portugal está prestes a dar um passo verdadeiramente histórico na sua ambição espacial. A ilha de Santa Maria, situada no arquipélago dos Açores, prepara-se para se tornar numa das principais portas de entrada da Europa para o espaço já no ano de 2026, colocando definitivamente o país no mapa das nações com capacidade de lançamento.

O espaçoporto de Santa Maria

A ilha de Santa Maria, nos Açores, prepara-se para acolher o primeiro espaçoporto de Portugal em 2026. (Fotografia ilustrativa)
A ilha de Santa Maria, nos Açores, prepara-se para acolher o primeiro espaçoporto de Portugal em 2026. (Fotografia ilustrativa)

O projeto centra-se na ilha de Santa Maria, que é a mais meridional de todo o arquipélago dos Açores. A sua localização estratégica no meio do Atlântico oferece vantagens consideráveis, sendo ideal para as trajetórias orbitais, uma vez que apresenta bastante menos conflitos com as rotas aéreas e marítimas já existentes na região.

A ilha já dispõe de infraestruturas relevantes que facilitam bastante este ambicioso empreendimento. Entre elas destaca-se uma pista com três mil e quarenta e oito metros de comprimento, bem como uma estação de rastreio da Agência Espacial Europeia e um pequeno porto marítimo, elementos que reforçam claramente a viabilidade do local.

Licenciamento e primeiros lançamentos

Um marco decisivo foi alcançado em agosto de 2025, quando o Atlantic Spaceport Consortium, conhecido pela sigla ASC, obteve a licença de operação com uma validade de cinco anos. Tratou-se da primeira licença de espaçoporto alguma vez atribuída em Portugal, um momento verdadeiramente simbólico para todo o setor espacial nacional.

Com o licenciamento devidamente assegurado, as atenções viram-se agora para o calendário de operações. O primeiro lançamento comercial a partir de Santa Maria está previsto para o mês de maio de 2026. As expectativas são elevadas, sendo que o consórcio já assinou contratos com um total de quatro fornecedores de serviços de lançamento.

Entre os parceiros já confirmados encontra-se a empresa polaca SpaceForest, cujo foguetão suborbital denominado PERUN foi acordado em julho de 2025. A médio prazo, o objetivo passa por realizar entre doze a catorze lançamentos por ano, um número que poderá até escalar para um máximo de vinte, assim que a operação estabilizar por completo.

Um local de aterragem para o Space Rider

Para além dos lançamentos, Santa Maria assumirá também um papel de enorme importância no âmbito do programa Space Rider da Agência Espacial Europeia. A ilha foi oficialmente confirmada como o local de aterragem para este veículo, o que representa mais uma responsabilidade de grande prestígio para o território português.

O Space Rider é apresentado como o primeiro veículo orbital totalmente reutilizável da Europa e encontra-se atualmente em fase de desenvolvimento. Foi concebido para missões de curta duração em microgravidade, demonstrações tecnológicas e ainda para a colocação em órbita de pequenos satélites, abrindo assim novas possibilidades científicas.

O voo inaugural deste inovador veículo está agendado para o ano de 2028, altura em que descolará a bordo de um foguetão Vega-C a partir do Porto Espacial da Guiana Francesa. Em Santa Maria será criado um novo Centro de Tecnologia Espacial, destinado a integrar toda a infraestrutura de aterragem e de processamento posterior.

O investimento português no espaço

O compromisso de Portugal com o setor espacial reflete-se também num investimento financeiro bastante significativo. O país comprometeu-se a investir cerca de duzentos e quatro milhões e oitocentos mil euros na Agência Espacial Europeia ao longo dos próximos cinco anos, apostando de forma clara e decidida neste domínio de futuro.

Este investimento tem demonstrado um retorno bastante positivo para a economia nacional. Segundo as análises efetuadas, por cada euro investido na Agência Espacial Europeia, Portugal obtém um retorno estimado em dois euros e dezassete cêntimos, o que comprova a solidez e a rentabilidade desta aposta estratégica no espaço.

O crescimento do setor é igualmente notável quando observado ao longo do tempo. Na última década, a área espacial portuguesa duplicou de dimensão, ultrapassando já os mil milhões de euros de volume de negócios anual. Atualmente, o setor emprega mais de mil e seiscentos profissionais altamente qualificados em todo o território do país.

Ambições para o futuro

As ambições de Portugal não se ficam por aqui, estendendo-se a vários outros projetos de grande relevância. O país está a desenvolver metade dos dezasseis pequenos satélites de observação da Terra que integram a chamada Constelação Atlântica, contribuindo ainda para o Satélite Meteorológico do Ártico e para outras missões científicas.

Em suma, o ano de 2026 promete ser absolutamente decisivo para o futuro espacial de Portugal. Com o arranque das operações no espaçoporto de Santa Maria e o papel de destaque no programa Space Rider, o país afirma-se como um ator cada vez mais relevante na corrida europeia ao espaço, com o objetivo de se especializar em plataformas de mini e micro satélites até 2030.

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