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O Sol assume o comando: como a energia solar se tornou a maior fonte de eletricidade de Portugal

climate2026-09-01 · 4 min read · 0 reads

Em julho de 2026, a energia solar tornou-se pela primeira vez a maior fonte de eletricidade de Portugal. Entre recordes de renováveis e dias inteiros sem gás natural, o país vive o seu ano mais limpo de sempre. Aqui está a história.

Quando pensamos em transição energética, imaginamos muitas vezes um futuro distante, cheio de promessas ainda por cumprir num horizonte incerto. No entanto, em Portugal, esse futuro parece estar a chegar bem mais depressa do que muitos esperavam, e os números recentes ajudam a contar essa história de uma forma bastante concreta.

Ao longo de 2026, o país tem batido recordes atrás de recordes no que toca às energias renováveis. E há um marco em particular que merece verdadeiro destaque, porque representa uma autêntica mudança de paradigma na forma como produzimos e consumimos eletricidade no nosso território. Vale bem a pena olhar para ele com atenção.

Um mês histórico para o Sol

Segundo os dados do operador da rede nacional, a REN, em julho de 2026 a energia solar tornou-se, pela primeira vez, a maior fonte de eletricidade de Portugal. Foi um momento simbólico e ao mesmo tempo muito real, que marca a ascensão de uma tecnologia que ainda há poucos anos tinha um peso claramente reduzido no sistema.

Os números explicam bem esta viragem tão significativa. De acordo com a REN, nesse mês a produção fotovoltaica representou cerca de 19 por cento do total, ficando à frente da hídrica, com 16 por cento, e da eólica, com 13 por cento. No conjunto, as fontes renováveis asseguraram 53 por cento de todo o consumo elétrico nacional.

Um pico de quase quatro mil megawatts

Para além das médias mensais, houve também momentos de brilho verdadeiramente intenso, quase literalmente. De acordo com os dados disponíveis, a produção solar atingiu um pico de cerca de 3.800 megawatts no dia 29 de junho, ao início da tarde, um valor que ilustra bem a capacidade instalada que o país foi acumulando ao longo dos últimos anos.

Este crescimento não caiu do céu, resultou antes de um investimento longo e continuado. Segundo os dados disponíveis, só entre dezembro de 2025 e maio de 2026 a capacidade renovável aumentou em 578 megawatts, dos quais 372 megawatts corresponderam a novas instalações fotovoltaicas, o que mostra bem para onde está a apontar a aposta do setor.

Meio ano quase sem gás natural

Se ampliarmos o olhar para além de um único mês, o quadro geral continua a impressionar bastante. De acordo com os dados disponíveis, no primeiro semestre de 2026 cerca de 75,6 por cento da eletricidade produzida em Portugal Continental teve origem em fontes renováveis, um resultado que coloca o país entre os melhores de toda a Europa neste domínio.

Um dos dados mais marcantes tem que ver com a independência face aos combustíveis fósseis. De acordo com os dados disponíveis, ao longo desse semestre houve 692 horas, ainda que não consecutivas, em que o país nem sequer precisou de recorrer ao gás natural, o equivalente a cerca de 29 dias inteiros de consumo sem essa fonte poluente.

Quando o vento e o Sol se igualam

A eólica e a solar são hoje os dois grandes pilares do sistema elétrico português, cada vez mais próximos em peso.
A eólica e a solar são hoje os dois grandes pilares do sistema elétrico português, cada vez mais próximos em peso.

Alguns meses trazem verdadeiras curiosidades técnicas que bem merecem uma nota à parte. De acordo com os dados disponíveis, em junho de 2026 a fatia renovável chegou aos 71 por cento, com a eólica a representar 25,9 por cento e a solar fotovoltaica 24,6 por cento, um raro empate entre duas tecnologias que costumam ter pesos bastante diferentes.

Esta abundância de energia limpa também se reflete no bolso, ainda que de forma indireta e nem sempre imediata. De acordo com os dados disponíveis, o preço médio grossista no mercado ibérico desceu para 48,8 euros por megawatt-hora no primeiro semestre, uma queda de quase 23 por cento face ao mesmo período do ano anterior.

Nem tudo são boas notícias

Seria pouco honesto pintar apenas um retrato cor de rosa, porque também existem desafios bem reais pela frente. De acordo com os dados disponíveis, em julho tanto a produção solar como a eólica ficaram abaixo das suas médias históricas de produtividade, situando-se nos 89 e nos 71 por cento, respetivamente, num sinal claro de que o clima também condiciona estas fontes.

Felizmente, o sistema mostrou alguma capacidade de se equilibrar quase sozinho. De acordo com os dados disponíveis, nesse mesmo mês a produção hídrica compensou parte dessa quebra, ao atingir 126 por cento do seu valor habitual, enquanto o país recorreu ainda a importações vindas de Espanha para garantir todo o abastecimento necessário.

O caminho que falta percorrer

Olhando para o conjunto do ano, percebe-se que a energia solar ainda tem bastante espaço para crescer. De acordo com os dados disponíveis, nos primeiros sete meses de 2026 as fontes limpas asseguraram 68 por cento do abastecimento, mas nesse período mais alargado foi a hídrica que liderou, seguida pela eólica e só depois pela solar.

No fundo, o que estes números contam é uma transformação profunda que está a acontecer mesmo diante dos nossos olhos, mês após mês. O desafio agora passa por reforçar as redes e a flexibilidade do sistema, para que toda esta energia limpa possa ser aproveitada ao máximo. O Sol, ao que tudo indica, veio mesmo para ficar.

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