Miguel SousaVIEW PROFILE →
Um foguetão da SpaceX abriu uma cratera na Lua: o lixo espacial já chega ao nosso satélite
Um estágio de um foguetão da SpaceX embateu na Lua e abriu uma nova cratera, captada pela sonda da NASA. Um episódio que lança luz sobre o crescente problema do lixo espacial.
A Lua, o corpo celeste que a humanidade contempla desde sempre, ganhou recentemente uma nova cicatriz, e desta vez a responsabilidade não é de um asteroide vindo do espaço profundo, mas sim de um objeto fabricado pela própria mão do homem.
No dia 5 de agosto de 2026, um estágio superior de um foguetão Falcon, da empresa SpaceX, acabou por embater na superfície lunar, abrindo uma nova cratera num episódio que, embora não seja inédito, voltou a chamar a atenção para um problema cada vez maior.
O que aconteceu na superfície lunar
O impacto ocorreu por volta das seis e meia da manhã em tempo universal, quando o corpo do foguetão, com cerca de doze metros de comprimento e quatro de largura e um peso a rondar as quatro toneladas, atingiu o solo lunar a grande velocidade.
Curiosamente, a cratera resultante não foi tão grande como seria de esperar de um objeto sólido do mesmo tamanho, precisamente porque o corpo do foguetão é em grande parte oco, o que altera a forma como a energia do embate se distribui pelo terreno.
Coube à sonda da NASA conhecida como Lunar Reconnaissance Orbiter a tarefa de fotografar o local do impacto, captando imagens da nova cratera a partir de diferentes ângulos e sob diferentes condições de luz solar, para melhor a estudar.
O problema crescente do lixo espacial

Este acontecimento é muito mais do que uma curiosidade astronómica, pois funciona como um lembrete claro de que a atividade humana no espaço deixou de ser algo raro e passou a gerar detritos que já não se limitam à órbita próxima da Terra.
Durante décadas, o chamado lixo espacial foi sobretudo um problema em torno do nosso planeta, mas à medida que as missões se multiplicam e a exploração se intensifica, os vestígios da nossa presença começam a acumular-se também mais longe.
A questão levanta debates importantes sobre a responsabilidade das empresas e das agências espaciais na gestão dos objetos que lançam, e sobre a necessidade de regras mais claras para evitar que a corrida ao espaço deixe um rasto de destroços.
Um olhar para o futuro próximo
Enquanto se discute o passado deste foguetão, a comunidade científica mantém os olhos postos noutra missão de grande importância, a sonda europeia Hera, que deverá chegar em novembro ao sistema de asteroides binário Didymos e Dimorphos.
Esse destino não é escolhido ao acaso, pois foi ali que, em 2022, a missão DART da NASA embateu propositadamente no pequeno Dimorphos para alterar a sua órbita, num teste histórico de como poderemos um dia desviar rochas em rota de colisão com a Terra.
Entre craterias acidentais e missões cuidadosamente planeadas, estes episódios mostram que a nossa relação com o espaço entrou numa nova era, em que a humanidade já não se limita a observar os céus, mas os molda ativamente, para o melhor e para o pior.






