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Novo sapo da Idade do Gelo descoberto nos poços de alcatrão de La Brea, um fóssil escondido durante décadas

climate2026-08-19 · 3 min read · 381 reads

Investigadores identificaram uma nova espécie extinta de sapo, batizada Spea labreae, a partir de ossos guardados desde os anos 1950 nas coleções dos famosos poços de alcatrão de La Brea, em Los Angeles. É apenas o segundo anfíbio extinto da Idade do Gelo alguma vez encontrado na América do Norte.

Os famosos poços de alcatrão de La Brea, no coração de Los Angeles, voltaram a surpreender os cientistas. Uma equipa de investigadores identificou ali uma nova espécie extinta de sapo, que viveu durante a Idade do Gelo. A descoberta foi publicada a 4 de agosto de 2026 na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology.

A nova espécie recebeu o nome de Spea labreae e pertence ao grupo dos chamados sapos de pé em pá, conhecidos em inglês como spadefoot toads. Estes anfíbios têm uma característica peculiar nas patas traseiras, uma espécie de esporão que lhes permite escavar o solo com grande eficácia para se protegerem do calor e da secura.

O estudo foi conduzido por dois investigadores, Alberto Cruz e Emily Lindsey. Cruz, que foi bolseiro de pós-doutoramento em La Brea, liderou o trabalho, enquanto Lindsey é curadora e diretora do centro de investigação dedicado à Idade do Gelo no mesmo local. Juntos analisaram cuidadosamente os antigos fósseis guardados no museu.

Um fóssil esquecido nas coleções

O mais curioso é que estes ossos não foram encontrados agora. Na verdade, os fósseis estavam guardados nas coleções do museu desde a década de 1950, sem que ninguém lhes desse a devida atenção. Durante décadas permaneceram por estudar, à espera de um olhar mais atento que finalmente revelasse o seu segredo.

Foi apenas recentemente que o investigador Alberto Cruz começou a examinar com detalhe este material esquecido. Para confirmar que se tratava de uma espécie nova, a equipa comparou minuciosamente a forma e o tamanho dos ossos com cerca de oitenta exemplares de sapos atuais provenientes de coleções de vários museus.

Uma descoberta rara

A raridade desta descoberta é difícil de exagerar. Spea labreae é apenas o segundo anfíbio extinto da época do Pleistoceno alguma vez identificado em toda a América do Norte. O único caso anterior tinha sido uma rã arborícola encontrada na Florida, o que torna este novo achado verdadeiramente excecional para a ciência.

Há uma razão para os anfíbios serem tão raros no registo fóssil. Os seus ossos são pequenos, frágeis e facilmente destruídos ao longo do tempo, o que faz com que raramente se preservem bem. Os poços de alcatrão de La Brea, no entanto, oferecem condições excecionais para conservar até os vestígios mais delicados do passado.

O que os anfíbios revelam sobre o clima

Os sapos de pé em pá vivem em ambientes secos e enterram-se no solo. As alterações no clima afetam diretamente onde estas espécies conseguem viver. (imagem ilustrativa)
Os sapos de pé em pá vivem em ambientes secos e enterram-se no solo. As alterações no clima afetam diretamente onde estas espécies conseguem viver. (imagem ilustrativa)

Para além da curiosidade científica, esta descoberta tem um valor prático importante. Os anfíbios são considerados indicadores muito precisos das condições ambientais do passado. Como explicou Alberto Cruz, se o ambiente muda, muda a vegetação, e o clima torna-se mais quente ou mais frio, o que afeta diretamente estes animais tão sensíveis.

Por serem tão sensíveis, estes animais funcionam como pequenos termómetros do passado. Ao estudar quais as espécies que viviam em Los Angeles durante a Idade do Gelo, os cientistas conseguem reconstruir com maior rigor como era o ambiente da região e como este foi mudando ao longo dos milénios até aos dias de hoje.

A investigação trouxe ainda uma segunda surpresa relevante. A equipa confirmou a primeira prova fóssil de que o sapo cavador mexicano, uma espécie chamada Rhinophrynus, já habitou o sudoeste dos Estados Unidos. Hoje, este animal encontra-se apenas cerca de dois mil e quinhentos quilómetros mais a sul, no sul do México.

Ainda há muito por descobrir

Esta deslocação de milhares de quilómetros ao longo do tempo mostra como as alterações do clima podem redesenhar por completo o mapa da vida. Espécies que outrora prosperavam numa região podem desaparecer dela por completo, empurradas para longe à medida que as temperaturas e os ecossistemas se vão transformando.

O caso de Spea labreae é também um lembrete de que a ciência nunca está verdadeiramente terminada. Como sublinhou Emily Lindsey, mesmo após um século de escavações e investigação, La Brea continua a revelar novidades. Muitos outros segredos poderão ainda estar escondidos, à espera nas gavetas e coleções dos museus.

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