Miguel SousaVIEW PROFILE →
Eclipse solar de 12 de agosto de 2026: Bragança terá totalidade e o resto de Portugal um eclipse parcial profundo
No dia 12 de agosto de 2026, Portugal assiste a um eclipse solar histórico. O Parque Natural de Montesinho, em Bragança, será o único ponto de totalidade, enquanto o resto do continente terá entre 92% e 99% do Sol ocultado.
Portugal prepara-se para viver um dos maiores espetáculos que o céu tem para oferecer. No dia 12 de agosto de 2026, um eclipse solar vai atravessar o país e transformar, ainda que por instantes, o fim de tarde num momento de penumbra invulgar, num acontecimento que promete atrair olhares de norte a sul do território nacional.
Ao contrário do que muitas vezes se pensa, este não será um eclipse igual para todos. A percentagem do Sol que ficará oculta varia consoante a região, criando um mosaico de experiências diferentes conforme o local escolhido para observar o fenómeno, desde o continente até aos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
Bragança, o único ponto de totalidade
O grande privilégio caberá ao nordeste do país. O Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança, será o único local em Portugal onde o eclipse atingirá a totalidade, com 100% do disco solar coberto pela Lua. Para quem lá estiver, o dia dará lugar, por breves momentos, a uma escuridão quase noturna.
A totalidade é um acontecimento particularmente raro e impressionante, em que o Sol desaparece por completo atrás da Lua e se torna possível observar a sua ténue coroa. É precisamente esta singularidade que deverá levar muitos entusiastas da astronomia a deslocarem-se até à região de Bragança nesse dia de agosto.
Um eclipse parcial profundo no resto do continente
Fora dessa pequena faixa de totalidade, o continente não ficará de fora do espetáculo. Em Portugal continental, a ocultação do Sol situar-se-á entre 92% e 99%, aquilo a que os especialistas chamam um eclipse parcial profundo. Consoante o distrito, os valores variarão aproximadamente entre 93% e 99% de cobertura do disco solar.
Nos arquipélagos, o fenómeno também será visível, ainda que de forma menos intensa. Tanto nos Açores como na Madeira, a percentagem de Sol ocultado deverá rondar valores entre 74% e 77%. Mesmo assim, tratar-se-á de um eclipse bastante expressivo, capaz de despertar a curiosidade de residentes e de visitantes.
As horas do fenómeno

Quanto ao momento em que tudo acontece, o eclipse desenrolar-se-á ao fim da tarde. O fenómeno terá início por volta das 18:33 e prolongar-se-á até cerca das 20:39, sendo que o auge da observação, dependendo do local, deverá ocorrer aproximadamente entre as 19:30 e as 19:38, já com o Sol baixo no horizonte.
O facto de o eclipse ocorrer com o Sol próximo do horizonte acrescenta um ingrediente extra ao espetáculo. Além da própria ocultação, os observadores poderão contar com a luz dourada característica do fim de tarde, o que torna este eclipse especialmente apelativo do ponto de vista visual e também fotográfico.
Observar em segurança
Os organizadores fazem questão de sublinhar que a observação de um eclipse exige cuidados rigorosos. As recomendações são claras, nunca olhar diretamente para o Sol a olho nu, não utilizar telescópios sem filtros solares adequados e não recorrer a óculos de sol normais, que não oferecem qualquer proteção real ao observador.
A única forma segura de acompanhar o fenómeno passa pela utilização de óculos específicos para eclipses, concebidos precisamente para este fim. Estes cuidados não são um detalhe menor, uma vez que a observação inadequada do Sol pode provocar lesões oculares graves e, em alguns casos, permanentes e irreversíveis.
Uma mobilização científica nacional
Em torno deste eclipse organiza-se uma verdadeira mobilização científica. Mais de uma dezena de entidades coordenam o evento, entre as quais a Ciência Viva, a Agência Espacial Europeia e a Sociedade Portuguesa de Astronomia, além de vários centros de ciência espalhados pelo país, todos empenhados em aproximar o público do fenómeno.
O entusiasmo em torno da data reflete-se também no número de iniciativas. Ao longo do ano que antecede o eclipse, foram programadas cerca de 409 atividades por todo o país, entre observações, sessões de divulgação e visitas guiadas. Tudo aponta para que o 12 de agosto de 2026 fique na memória como um dia em que Portugal olhou, em conjunto, para o céu.






