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Cometa interestelar 3I/ATLAS pode ser mais antigo do que o Sol, revela estudo do ESO

climate2026-08-20 · 3 min read · 76 reads

Astrónomos usaram o Very Large Telescope do ESO para estudar o cometa interestelar 3I/ATLAS, o mais brilhante alguma vez observado. Os dados sugerem que este objeto poderá ter mais do dobro da idade do Sol.

O nosso Sistema Solar recebeu uma visita rara e fascinante. Um cometa vindo do espaço interestelar, batizado com o nome 3I/ATLAS, tem atraído a atenção dos astrónomos de todo o mundo. Graças a observações detalhadas realizadas a partir da Terra, os cientistas acreditam agora que este objeto poderá ser ainda mais antigo do que o próprio Sol.

Apenas o terceiro do seu género

O 3I/ATLAS ocupa um lugar muito especial na história da astronomia. Trata-se apenas do terceiro cometa interestelar alguma vez descoberto, depois do famoso 1I/ʻOumuamua e do 2I/Borisov. Ao contrário dos cometas habituais, que pertencem ao nosso Sistema Solar, este viajante teve origem muito para lá das suas fronteiras.

Outra característica notável distingue este cometa dos seus antecessores. O 3I/ATLAS é o cometa interestelar mais brilhante alguma vez observado, o que o torna um alvo particularmente valioso para os investigadores. Essa luminosidade permitiu estudar a sua composição com um nível de detalhe que raramente é possível alcançar.

O olhar poderoso do Very Large Telescope

O Very Large Telescope do ESO, no Chile, permitiu analisar a composição química do cometa interestelar 3I/ATLAS. (Imagem ilustrativa)
O Very Large Telescope do ESO, no Chile, permitiu analisar a composição química do cometa interestelar 3I/ATLAS. (Imagem ilustrativa)

Para desvendar os segredos deste visitante, a equipa recorreu ao Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, conhecido pela sigla ESO. As observações decisivas foram realizadas em duas datas, a 18 de janeiro e a 18 de fevereiro de 2026, utilizando o instrumento UVES, especializado na análise da luz proveniente dos astros distantes.

Ao estudar a luz do cometa, os cientistas conseguiram identificar a sua assinatura química. Em particular, mediram os quocientes isotópicos de carbono e de azoto presentes em moléculas de cianeto. Estas medições funcionam como uma espécie de impressão digital, capaz de revelar informação preciosa sobre a origem e a história do objeto.

Uma impressão digital reveladora

Os resultados acabaram por surpreender a equipa. Os quocientes isotópicos encontrados no 3I/ATLAS revelaram-se invulgarmente elevados quando comparados com os cometas do nosso Sistema Solar. Esta diferença indica que o cometa se formou num ambiente muito distinto daquele que deu origem aos corpos que conhecemos mais de perto.

Com base nestas pistas, os investigadores concluíram que o cometa terá tido origem nas periferias de um disco de matéria em torno de uma estrela antiga, caracterizada por uma baixa metalicidade. Por outras palavras, tratava-se de uma estrela pobre em elementos mais pesados, típica de uma fase muito recuada da história do Universo.

Mais antigo do que o Sol

A conclusão mais impressionante diz respeito à idade do cometa. Segundo as estimativas, o 3I/ATLAS poderá ter mais do dobro da idade do Sol, situando-se entre os sete e os dez mil milhões de anos. Se confirmada, esta idade fará dele um dos objetos mais antigos alguma vez estudados a passar tão perto de nós.

Para dar sentido a estes números, importa recordar que o Sol tem cerca de quatro mil e seiscentos milhões de anos. Um cometa com o dobro dessa idade teria começado a sua existência numa época em que o próprio Sistema Solar ainda não existia, transportando consigo memórias de um passado cósmico muito remoto e distante.

Fósseis de mundos distantes

A investigadora principal do estudo, Cyrielle Opitom, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, resumiu de forma poética o significado da descoberta. Segundo as suas palavras, objetos como este são uma espécie de fósseis de um processo de formação planetária que ocorreu muito longe, noutro canto da nossa galáxia.

O trabalho contou com a colaboração de vários especialistas europeus. Além de Cyrielle Opitom, participaram investigadores da Universidade de Liège, na Bélgica, nomeadamente Jean Manfroid, Damien Hutsemékers e Aravind Krishnakumar, bem como Rosemary Dorsey, da Universidade de Helsínquia, na Finlândia. Foi um esforço verdadeiramente internacional.

Os resultados desta investigação foram publicados na prestigiada revista científica Nature Astronomy, no dia 6 de julho de 2026. A publicação num periódico de referência confere solidez às conclusões e coloca este cometa no centro das atenções da comunidade astronómica internacional durante os próximos tempos.

Em última análise, o estudo do 3I/ATLAS mostra como um simples cometa pode transformar-se numa autêntica cápsula do tempo. Ao analisá-lo, os cientistas conseguem espreitar para lá do nosso Sistema Solar e recuar milhares de milhões de anos. Cada visitante interestelar é, assim, uma oportunidade rara de compreender melhor as origens do Universo.

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